Garrafada é aquela mistura de ervas, raízes e cascas, às vezes com cachaça ou vinho, vendida em garrafas sem rótulo em feiras e por indicação de conhecidos. Tem tradição em várias regiões. O problema é que ninguém sabe ao certo o que está dentro, em que quantidade e com que limpeza. Para quem toma remédios ou tem doença crônica, isso pode ser perigoso. Veja por quê.
O que é uma garrafada
Em geral, é uma preparação feita com várias plantas ao mesmo tempo, deixadas de molho ou fervidas e colocadas em garrafa. Cada pessoa que prepara tem sua receita, passada de geração em geração ou aprendida com alguém. Algumas levam bebida alcoólica, mel ou açúcar para conservar.
Veja também: Folha de maracujá: o que se sabe sobre o chá e os cuidados · Chá de capim-limão: para que serve e quais os cuidados
A tradição popular merece respeito. Mas respeitar a cultura não significa ignorar os riscos. Uma garrafada reúne várias substâncias ativas de uma vez, e isso aumenta as chances de efeitos indesejados.
Por que o risco é maior que o de um chá simples
Um chá de uma planta só já exige cuidado. Na garrafada, os problemas se multiplicam:
- Mistura de plantas: não se sabe qual delas causa uma reação.
- Sem dose conhecida: a concentração varia de um frasco para outro.
- Plantas erradas: é fácil confundir espécies parecidas, e algumas são tóxicas.
- Contaminação: preparo sem higiene pode levar a fungos e bactérias.
- Conservação: a mistura pode fermentar ou estragar, mesmo com álcool.
- Sem rótulo: ninguém sabe o que tem nem a validade.
Quando alguém passa mal, o médico não consegue saber o que a pessoa ingeriu, o que atrasa o tratamento.
Interações com remédios
Este é um dos pontos mais importantes para quem tem mais de 45 anos, época em que muitos passam a usar remédios todos os dias. Plantas podem aumentar ou diminuir o efeito de medicamentos, por exemplo:
- remédios para pressão, que podem ter o efeito alterado;
- remédios para diabetes, com risco de queda ou alta da glicemia;
- anticoagulantes, que exigem controle rigoroso;
- remédios para o coração, o sono e a ansiedade;
- medicamentos usados depois de transplantes.
Algumas plantas são laxantes ou diuréticas fortes, e o uso pode levar à perda de líquidos e de sais minerais, com cansaço, câimbras e arritmias. Outras podem sobrecarregar o fígado e os rins, que muitas vezes não dão sintomas no início.
Garrafadas feitas com cachaça ou vinho trazem outro problema: o álcool. Ele não combina com vários remédios, pode aumentar a pressão em quem já é hipertenso e é um perigo para quem tem problema no fígado, gastrite ou histórico de dependência. Em gestantes e crianças, deve ser evitado por completo.
Desconfie de qualquer garrafada vendida com frases como estas:
- cura diabetes, câncer, pressão alta ou outras doenças;
- permite parar de tomar o remédio do médico;
- limpa o sangue ou desintoxica o corpo;
- serve para todos os males.
Largar o tratamento por causa de uma garrafada é um dos maiores perigos. Já houve casos de pessoas que pioraram porque abandonaram remédios essenciais, como os da pressão e da diabetes, e só procuraram ajuda quando surgiram complicações.