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Garrafadas: os riscos de remédios caseiros sem rótulo

Leitura de 6 min

Garrafada é aquela mistura de ervas, raízes e cascas, às vezes com cachaça ou vinho, vendida em garrafas sem rótulo em feiras e por indicação de conhecidos. Tem tradição em várias regiões. O problema é que ninguém sabe ao certo o que está dentro, em que quantidade e com que limpeza. Para quem toma remédios ou tem doença crônica, isso pode ser perigoso. Veja por quê.

O que é uma garrafada

Em geral, é uma preparação feita com várias plantas ao mesmo tempo, deixadas de molho ou fervidas e colocadas em garrafa. Cada pessoa que prepara tem sua receita, passada de geração em geração ou aprendida com alguém. Algumas levam bebida alcoólica, mel ou açúcar para conservar.

Veja também: Folha de maracujá: o que se sabe sobre o chá e os cuidados · Chá de capim-limão: para que serve e quais os cuidados

A tradição popular merece respeito. Mas respeitar a cultura não significa ignorar os riscos. Uma garrafada reúne várias substâncias ativas de uma vez, e isso aumenta as chances de efeitos indesejados.

Por que o risco é maior que o de um chá simples

Um chá de uma planta só já exige cuidado. Na garrafada, os problemas se multiplicam:

  • Mistura de plantas: não se sabe qual delas causa uma reação.
  • Sem dose conhecida: a concentração varia de um frasco para outro.
  • Plantas erradas: é fácil confundir espécies parecidas, e algumas são tóxicas.
  • Contaminação: preparo sem higiene pode levar a fungos e bactérias.
  • Conservação: a mistura pode fermentar ou estragar, mesmo com álcool.
  • Sem rótulo: ninguém sabe o que tem nem a validade.

Quando alguém passa mal, o médico não consegue saber o que a pessoa ingeriu, o que atrasa o tratamento.

Interações com remédios

Este é um dos pontos mais importantes para quem tem mais de 45 anos, época em que muitos passam a usar remédios todos os dias. Plantas podem aumentar ou diminuir o efeito de medicamentos, por exemplo:

  • remédios para pressão, que podem ter o efeito alterado;
  • remédios para diabetes, com risco de queda ou alta da glicemia;
  • anticoagulantes, que exigem controle rigoroso;
  • remédios para o coração, o sono e a ansiedade;
  • medicamentos usados depois de transplantes.

Algumas plantas são laxantes ou diuréticas fortes, e o uso pode levar à perda de líquidos e de sais minerais, com cansaço, câimbras e arritmias. Outras podem sobrecarregar o fígado e os rins, que muitas vezes não dão sintomas no início.

Garrafadas feitas com cachaça ou vinho trazem outro problema: o álcool. Ele não combina com vários remédios, pode aumentar a pressão em quem já é hipertenso e é um perigo para quem tem problema no fígado, gastrite ou histórico de dependência. Em gestantes e crianças, deve ser evitado por completo.

Desconfie de qualquer garrafada vendida com frases como estas:

  • cura diabetes, câncer, pressão alta ou outras doenças;
  • permite parar de tomar o remédio do médico;
  • limpa o sangue ou desintoxica o corpo;
  • serve para todos os males.

Largar o tratamento por causa de uma garrafada é um dos maiores perigos. Já houve casos de pessoas que pioraram porque abandonaram remédios essenciais, como os da pressão e da diabetes, e só procuraram ajuda quando surgiram complicações.