Entrou na cozinha e não lembra o que foi buscar. Esqueceu o nome de um conhecido ou onde guardou a chave. Com o passar dos anos, esses episódios preocupam muita gente, que logo pensa em Alzheimer. Na maior parte das vezes, são lapsos comuns. Mesmo assim, é importante saber quais mudanças pedem uma conversa com o médico.
O que costuma ser normal com a idade
O cérebro muda com o envelhecimento. É comum que o raciocínio fique um pouco mais lento e que a lembrança de nomes ou de palavras demore a surgir. Alguns exemplos de esquecimentos que costumam fazer parte da rotina:
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- esquecer onde deixou os óculos ou as chaves e lembrar depois, ao refazer os passos;
- ter o nome de alguém na ponta da língua e recordar mais tarde;
- esquecer um compromisso, mas lembrar quando alguém avisa;
- entrar em um cômodo sem lembrar o motivo.
Nesses casos, a pessoa percebe o lapso, consegue compensar com agenda e lembretes e segue com a vida normal.
Sinais que merecem avaliação
O alerta aparece quando o esquecimento atrapalha o dia a dia ou muda o jeito de a pessoa viver. Fique atento a:
- repetir a mesma pergunta várias vezes em pouco tempo;
- se perder em lugares conhecidos, como o caminho de casa;
- ter dificuldade para lidar com dinheiro, contas e remédios, que antes eram tranquilos;
- esquecer fatos recentes importantes com frequência;
- trocar palavras de forma estranha ou ter dificuldade para acompanhar uma conversa;
- mudar de humor ou de comportamento, ficar apática ou desconfiada;
- deixar de fazer tarefas simples, como se vestir ou preparar uma refeição.
Muitas vezes, quem nota primeiro é a família. Se parentes e amigos comentam as mudanças, vale ouvir com atenção.
Nem todo esquecimento é demência
Várias condições tratáveis causam perda de memória e precisam ser descartadas:
- depressão e ansiedade;
- sono ruim ou apneia do sono;
- falta de vitamina B12 ou alterações na tireoide;
- efeito de remédios, principalmente calmantes e alguns medicamentos para dormir;
- problemas de audição e de visão, que dificultam captar as informações;
- consumo excessivo de álcool;
- infecções, desidratação e outras doenças.
Por isso, o primeiro passo é uma avaliação médica completa. Não pare nem troque remédios por conta própria, mesmo que suspeite que eles estejam atrapalhando. Fale com o médico.
Como é a avaliação
O médico faz perguntas sobre a rotina, os remédios e o histórico da família. Pode aplicar testes rápidos de memória e raciocínio e pedir exames de sangue e de imagem, como a tomografia ou a ressonância do cérebro. Em alguns casos, o encaminhamento é para um neurologista, um geriatra ou um psiquiatra. Levar um familiar à consulta ajuda, porque ele pode contar o que percebeu.
Quando se identifica um quadro como a doença de Alzheimer, o diagnóstico precoce permite organizar o tratamento, os cuidados e o apoio à família. O médico explica as opções disponíveis.